terça-feira, 9 de junho de 2009

Momentos

Pseudo-psicólogos da TV sempre dão o mesmo conselho: o diálogo é a melhor solução. Grande novidade, não é? Como se as pessoas que se submetem a sentar num sofazinho para expor suas desavenças familiares ou amorosas em rede nacional nunca tivessem ouvido tal coisa antes. Como se uma apresentadora de voz calma e pausada e de semblante bondoso, mas que o que faz na verdade é atear fogo de forma sutil para dar audiência, e uma platéia barraqueira fossem despertar uma luz na consciência dos "convidados". De qualquer forma, os tais "convidados" acabam por sair com um belo sorriso achando que aquela conversa toda abrirá as portas de uma nova convivência. Que grande merda, não é?

O fato é que ninguém chega a lugar algum conversando. Digo, uma conversa pode ser muito boa e engrandecedora, por mais impalpável que seja, como quando conversamos sobre o dia ou fazemos um ou outro comentário aleatório que vem na nossa cabeça de vez em quando ao nos depararmos com uma notícia, novidade, sentimento, etc. Porém, quando vem aquela famosa frase "precisamos conversar", é certeza de maiores conflitos. Geralmente, nesse tipo de conversa tão superestimada pelos profissionais televisivos, acabamos, querendo ou não, sempre por relembrar aqueles pequenos incidentes do passado que acumulando com o que acontece no momento, vira uma bola de neve... de fogo. Viu a grande merda?

Na verdade, tudo pode ser resolvido de forma muito menos desgastante. Basta estar tudo bem. O que quero dizer é que, mesmo depois de uma briga ou sei lá o quê, a necessidade desse tipo de conversa chata e desgastante é praticamente nula, porque, ao invés de preencher seu tempo com um diálogo mesclado de uma série de flashbacks a problemas banais que ficaram no passado, podemos preencher esse tempo com momentos bons. E esses momentos bons têm que ter o devido valor pra ambas as partes. Pensem, através desses momentos bons, chegamos à mesma conclusão – ou vamos além – que chegaríamos através de uma desgastante e possivelmente alterada conversa, só que de maneira bem mais agradável.

Afinal, o que precisa ser dito após um grande momento bom e significativo depois de uma briga? Um "eu te amo", talvez. Às vezes, nem isso. Mas, garanto, não será tudo aquilo que dizemos numa desgastante conversa de horas e horas discutindo as desavenças.

Já dizia um comercial desses com liçõezinhas filosóficas, provavelmente de mercado de madame, "a vida é feita de momentos".

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Pecuária?

Quando eu era criança, por volta de uns 10 anos de idade, eu andava com um grupo formado por um casalzinho fofo. Um garoto lindinho de cabelos loiros raspados bem curtos e uma menina gordinha que era sabichona e ensinava inglês para todo mundo.

A gente se conheceu na escola e estudava junto. Éramos inseparáveis, mas o tempo passou e perdemos contato. Nos anos que se passaram, vocês sabem, foi tudo um inferno. Até que, surpreendentemente, os reencontrei quando estudava para um concurso.

Na hora, não soube dizer se eram eles mesmo, afinal, uns 11 anos de passaram. Mas fui lá puxar papo e eles me reconheceram também. Foi inusitado!

Ele continuava lindo, com o mesmo visual e sorriso marcante, másculo. Ela não estava mais tão gordinha, tinha um penteado muito moderno e era professora. Agora, os dois eram namorados de verdade.

Naquele dia, sentamos no intervalo e lembramo-nos das coisas que nós fazíamos na infância. Trocamos telefones e msns e prometemos não perder contato. Às vezes, passávamos horas recordando aquela fase.

Como era divertido andar com eles! Uma amizade intensa. Naquela época, ele era meu melhor amigo e hoje, sem vergonha, digo que ainda é. Nos três passamos a andar juntos de novo e tem sido ótimo. São tempos felizes!

Quando voltei para casa, minha avó me avisou: "A sua prima está na pecuária e ninguém foi buscá-la!"
Então, eu acordei...

domingo, 11 de janeiro de 2009

Irritante mosca voando

Na última vez que limpei meu quarto, somente troquei a roupa de cama que estava lá há um mês. De resto, está tudo revirado, jogado por todos os cantos. Tudo cheio de pó.

Por que me dei ao trabalho de trocar a roupa de cama se todo o resto está um caos total?
Para não me sentir sujo por dormir na sujeira após um banho bem tomado. Um recanto de limpeza em meio à imundície.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

O ninar de um bebê

O ano acabou de começar e, de 2002 para cá, muita coisa aconteceu. Mas em todo canto que vejo um blog de um menino excluído e problemático, acabo por me identificar nele. Os problemas, claro, são sempre únicos, porém, ao mesmo tempo, são iguais e cíclicos, infinitos.

É como Nando Reis ao esbarrar com outro ruivo na rua. É como Devika Bardhan, ou melhor, Debbie Barton, ao ver o corpo de Asima na rua. Como se o mundo fosse um grande e irônico espelho. Um espelho do tipo que você pode até renegar, mas, no fundo, você sente uma parcela de... conforto.

Principalmente, é claro, quando se está do lado de cá.

"we are all connected."

sábado, 13 de dezembro de 2008

Íris

A chuva que traz
o arco colorido, vívido,
é de liberdade

Quem eu ouço

Ouvi há pouco

Na vitrola